Hemodiafiltração Indicação


A diálise é um tratamento que permite a substituição de algumas das funções mais importantes dos nossos rins, nomeadamente a regulação do volume extra-celular (através da retirada de líquido com a ultrafiltração) e a eliminação de elementos que se acumulam na insuficiência renal como, por exemplo, o potássio e a ureia (através do mecanismo de difusão). 

É importante salientar que os pacientes em diálise crónica efetuam uma terapêutica que prolonga a sua vida e permite uma qualidade de vida aceitável.

Funções dos Rins

O rim desempenha diversas funções. Permite a nossa sobrevivência em situações de restrição hídrica (calor intenso ou baixa ingestão de líquidos) diminuindo a quantidade e aumentando a concentração da urina. Esta função de concentração e diluição urinárias parece básica, mas é na realidade muito complexa e considerada como a mais nobre dos nossos rins.

A diálise permite substituir as seguintes funções dos rins:

Eliminação de líquidos. Se uma pessoa normal urina cerca de 1.5 litros/dia um paciente em hemodiálise pode necessitar de retirar por cada sessão de hemodiálise, por exemplo, 3.0 a 4.5 litros;

Controlo ácido-base. O doente insuficiente renal crónico em diálise apresenta acidose metabólica. Necessita de receber bicarbonato na diálise, através do líquido dialisante, por um mecanismo de difusão;

Eliminação de potássio. Este ião em níveis elevados (acima de 7.0 mEq/litro) pode provocar paragem cardíaca. A diálise permite a sua eliminação através do mecanismo já referido de difusão;

Eliminação de restos do metabolismo proteico. Os doentes em diálise apresentam valores de ureia elevados no seu sangue. No caso da hemodiálise, esses valores são reduzidos de forma significativa em cada sessão de diálise e voltam a subir até à sessão seguinte. Esta oscilação de valores tem um aspeto gráfico parecido com os dentes de uma serra de corte comum.

Quem precisa fazer diálise?

Os rins, tal como o cérebro ou o coração, são orgãos vitais. A insuficiência renal pode ser aguda (instala-se em alguns dias) ou crónica (de instalação lenta, em mais de 3 meses).

Sendo grave (depuração de creatinina inferior a 10 ml/minuto e/ou anúrica) implica a utilização do tratamento da diálise para que o paciente se mantenha vivo.

Tipos de diálise

Existem dois tipos fundamentais de diálise. A diálise mais utilizada de forma global, mas também em Portugal, é a hemodiálise. No registo da Sociedade Portuguesa de Nefrologia relativa aos dados de 2016 efetuavam hemodiálise regular em 31 de Dezembro desse ano 11738 pacientes. Estes necessitam de se deslocar três vezes por semana a unidades hospitalares ou, com maior frequência, a clínicas privadas.

A hemodiálise progrediu imenso nas últimas duas décadas. A técnica de hemodiálise com maior qualidade e eficácia denomina-se hemodiafiltração on-line e é praticada, atualmente, na maioria das unidades e clínicas de hemodiálise em Portugal.

A diálise peritoneal é uma alternativa à hemodiálise. Uma das suas principais vantagens é a possibilidade de dispensar ambientes hospitalares ou clínicas de diálise. Os doentes efetuam as suas trocas/”mudas” de diálise peritoneal no seu domicílio.

Outros tipos de diálise apresentam indicações mais específicas, encontrando-se indicadas em situações particulares. Por exemplo, no tratamento da insuficência renal aguda grave em ambiente de cuidados intensivos utilizam-se técnicas de hemodiálise como a hemofiltração ou a “Slow, low, efficient, daily dialysis” (SLEDD).

O que é hemodiálise?

O tratamento de hemodiálise compreende os princípios físicos de ultrafiltração (retirada de líquidos) e de difusão (remoção de toxinas e restos do metabolismo proteico mas também permite suplementar o paciente com elementos em falta como o bicarbonato).

A máquina de hemodiálise é muito complexa mas o seu sector mais importante é o filtro de diálise, denominado pelos franceses como “rim artificial”. É nesse filtro que se efetuam as duas funções mais relevantes da diálise (ultrafiltração e difusão).

Funciona com diversos módulos de forma a permitir assegurar que a ultrafiltração e difusão sejam efetuados de forma eficaz e segura. Um paciente em programa regular de hemodiálise pode ser anúrico (urina menor de 100 cc/24 horas) e apresentar-se no início de uma sessão de hemodiálise, por exemplo, com 4 Kg (litros) para retirar por ultrafiltração e com potássio no seu sangue superior a 6 mEq/L (Normal < 5.0 mEq/L). No final dessa sessão de diálise, decorrendo sem complicações, deve ter retirado esses 4 litros e normalizado o seu valor de potássio, este por difusão.

Os pacientes em hemodiálise necessitam de um acesso vascular para efetuar essa técnica. Preferencialmente uma fístula artério-venosa para hemodiálise. Em alternativa pode ser utilizado um cateter de hemodiálise ou uma prótese artério-venosa.

As complicações mais frequentes das sessões de hemodiálise são as caimbras e a hipotensão. Em geral relacionam-se com a remoção de volume (peso) por ultrafiltração. A hipotensão é menos frequente em DPCA porque a ultrafiltração é mais suave, ao longo de 24 horas.

A infeção do acesso vascular em hemodiálise ou a peritonite em DP são complicações que podem ser mais graves mas são pouco frequentes e, sendo detetadas atempadamente, não impedem a continuação nessas técnicas.

Os efeitos secundários ou colaterais da diálise são raros e eminentemente técnicos. Destacam-se as reações aos filtros de hemodiálise de tipo anafilático mais frequentes no passado com a utilização de óxido de etileno na esterilização dos filtros ou com determinados tipos de filtros com fibras de AN69.

A hemodiálise em casa (no domicilio) é muito pouco utilizada no nosso país. Exige condições domiciliárias óptimas, bem como uma seleção positiva dos pacientes para esta técnica de auto-diálise. As suas vantagens são comparáveis à diálise peritoneal permitindo maior autonomia do paciente bem como a possibilidade de efetuar mais tempo de diálise, por exemplo durante a noite.

O que é diálise peritoneal?

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A diálise peritoneal é uma técnica de diálise que permite bons resultados em termos de dose semanal de diálise e ganhos de autonomia e de qualidade de vida em relação à hemodiálise em centro. Pode ser efetuada pelo próprio paciente (auto-diálise) ou por um cuidador (diálise assistida). Com o envelhecimento e longevidade progressivos da população esta última técnica pode ser uma alternativa relevante.

Uma outra alternativa para essas faixas etárias, doentes muito idosos, pode ser a terapêutica médica conservadora. Em Portugal os Serviços de Nefrologia dispõem de consultas específicas de esclarecimento em que as diversas opções de tratamento são explicadas aos pacientes e seus familiares de acordo com a respetiva norma da Direção Geral da Saúde.

FONTE: https://www.r7.com

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